Talvez nem tanto


A gente não manda no que sente. Ou manda? Talvez sim. Quando a gente decide no que vai acreditar e por quê. Tudo o que a gente sente passa a fazer sentido a partir das nossas crenças. E eu vejo isso em você. Lembro quantas vezes eu te disse que acreditava em você, que acreditava na gente. Eu acho que você não acreditava em mim e eu parei de acreditar na gente. E em você.
Para algumas pessoas as promessas só fazem sentido quando cumpridas. E eu queria ter só deixado isso no ar, mas não foi suficiente. Mas também não foi suficiente dizer com todas as palavras. Havia um estado de dormência que aparentemente a gente não enxergava. E tudo se desfez na marra, na dor, debaixo de chuva e um ruidoso barulho de paredes caindo.
Eu não gosto de fazer esse papel e detesto ser a pessoa que enxerga isso de longe. Bom, talvez nem tanto. Mas eu sinto e sinto tanto tudo o tempo todo que não consigo parar de pensar no que vai ser de você. E nem é que eu me ache muito importante. Eu só sei que mesmo querendo a gente não consegue lidar com certas dores. Com certas novidades.
Penso que sou sensível demais nessas voltas, que estou tendo uma recaída… E é quando eu lembro que eu já senti coisas que nunca soube dar nome e que volta e meia alguma música cutuca o fundo do meu coração e traz à tona alguns desses sentimentos. E eu chamo de frio na barriga porque é mais fácil.
Mas tudo bem para mim. Eu sou esse um metro e meio de um montão de sentimentos que ninguém acredita que eu tenho, porque eu sou cool demais para deixar alguém enxergar isso (e eu odeio quando alguém tenta). Mas você não. Você é o poço de razão. A pessoa que vive bem sem dramatizar a vida e sem se importar em contrariar as pessoas com o que vai dizer.
E é só isso que eu espero de você. Que continue sendo você mesmo sem se importar demais a ponto de deixar de ser quem você é (e sempre foi). ♡
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Como a gente se prometeu


A minha incapacidade de imaginar as coisas às vezes me prende numa espiral de mesmice e incertezas. Nessas horas eu gosto de olhar pro céu (especialmente quando ele tá azul) e tentar imaginar pra onde o caminho lá de cima leva. Quando vejo um avião não consigo deixar de imaginar pra onde ele tá indo e quem tá lá dentro.
Foi num dia meio vazio de sentido, muitas músicas que mexem comigo, deitada na grama, com um céu azul em cima de mim, que eu te vi em mim pela primeira vez. E te imaginei como o sonho que você é. Foi quando o frio na barriga invadiu meu corpo todo e eu pensei em como seria te ver. Também foi quando eu lembrei de todos os filmes que assisti quando era criança e de todos os meus filmes favoritos que têm um pouco de você, da sua doçura e até mesmo desse jeito good vibes, vida loka que eu enxergo daqui.
Eu sou feliz de você ter me visto quando eu te vi e sou feliz de você ter um gosto musical que complementa o meu pra muito além do que eu estou acostumada, mas pra tudo aquilo que tira meus pés do chão e me faz querer tentar voar, mesmo tendo medo. É como se eu ganhasse super poderes com as sensações que você me dá.
E mesmo sabendo que eu ainda não sou cem por cento a pessoa que eu imagino vivendo isso, eu sou o ponto de partida dela e isso me faz muito feliz também. E eu gosto de lembrar como a gente começou, porque isso não deixa espaço pra realidade cruel da minha vida de agora te apagar ou me fazer duvidar da gente.
Somos nós contra o mundo. Como a gente se prometeu. ♡
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De quando eu entendi a sua força


Eu não esperava por isso. Mas quem espera, afinal? Não achei que eu precisasse lutar tanto pra ter paz aqui dentro. Não achei que eu precisasse esquecer de ter que lutar. E se pra você nada disso faz sentido, imagina pra mim. Uma parte da verdade é que eu não queria ter que ser responsável por nada além daquilo que eu já entendo em mim. A outra parte é que, no final das contas, as minhas escolhas são bem poucas e continuar aqui não soa sensato. E a terceira parte é que realmente não é sensato, embora eu tenha custado a entender que discordar de você não me faz automaticamente errada. Dei risada da minha própria cara por ter dito isso tantas vezes e sequer ter analisado que eu mesma não seguia meu conselho.
Eu acho que você mesmo não enxerga as motivações por trás das atitudes que toma. E sei que não é simples como alguém te dizer pra você se dar conta. Algumas coisas a gente só aguenta perceber sozinho. E essa é a parte ruim. Pode ser que, quando tiver coragem pra enfrentar as suas verdades, você esteja irremediavelmente sozinho. Apesar de eu não acreditar no irremediável, não sei se você acredita. Por experiência, eu sei que quando você se apega a uma ideia, ela dura bastante tempo na sua vida. E eu espero que ela (a sua vida) seja longa. Pra dar tempo de lidar com toda essa besteira e ainda sobrar alguma coisa pra aproveitar, pra ter algum brilho nos olhos sem todo esse contexto que te atrapalha.
Você atura quem é. E, apesar de fazer parecer que ama essas manias e essas características tão arraigadas que parecem ser suas, mas não são, eu sei que é tudo uma máscara. E uma que te sufoca e te deixa tão desesperado que você tenta afastar e matar tudo à sua volta, só pra ninguém ver o quanto te machuca e que você não tem a menor ideia do que fazer com isso. Tanto quanto todo mundo. E parecer com qualquer um te assusta, porque você tem medo de ser frágil. Eu só queria te dizer que fragilidade não é fraqueza. Mas nunca consegui chegar perto o bastante pra isso. E talvez você nem saiba que por trás da minha aparente fragilidade se esconde uma força que eu nem sempre mostro. Não é que eu seja melhor do que você, porque não sou.
Mesmo com todos os sinais trocados e as coisas que agora eu vejo, mas que não percebia antes, eu aprendi a ser forte com a sua força. Ainda que ela seja de mentira.
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Ele sempre vai estar lá

Photo by Tyler Nix on Unsplash

Eu sei das minhas falhas. E da dificuldade que eu tenho em ser constante, em fazer sentido, em pisar na realidade com os dois pés, em parar de odiar cegamente coisas das quais eu tenho medo ou não me acho capaz de viver. Eu sei que me afasto, me assusto, durmo no meio do filme e crio uma queda de braço pra tentar manter minha cabeça e todas as minhas outras relações funcionando simultaneamente.
Eu nunca entendo nada e acabo exagerando as palavras. Pelo menos já aprendi um caminho menos difícil pra me redimir por elas. E aí me lembro de uma época remota em que eu achava que precisava ser, fazer e merecer o olhar de quem quer que fosse. As coisas de lá pra cá mudaram tanto que o meu olhar foi tudo de que aprendi a precisar.
Confesso que o excesso de sensibilidade de outro momento se transformou num negócio que volta e meia me faz questionar se não virei um robô. E é aqui que eu paro pra pensar e agradecer pela paciência, pela companhia, pela atenção e pela persistência. Não é toda pessoa na nossa vida que consegue amar quem a gente é no real sentido de ser. Complicado, chato, errado, mesquinho, dramático e frígido.
Não é todo mundo que dá essa sorte de ser amado sem se sentir inadequado. E é por isso, e por mais um monte de coisas, que eu te agradeço. E sei que também não é por isso que você está aqui, mas é uma daquelas pausas que a gente faz pra contemplar o céu, mesmo sabendo que ele sempre vai estar lá. ♡
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Então ok e bola pra frente

Photo by Lê Tân on Unsplash

Um salve pra todo mundo que some de vez em quando. Que cansa, que pesa, que não faz ideia do que tá acontecendo, que teme e que já não aguenta mais tudo isso. Um salve pra quem chora no banho e tem trilha sonora praquilo que nem sabe dar um nome. Um salve pra quem leva a culpa de um troço que nem sabia que tinha acontecido. Um salve pra quem tenta, mesmo mais caindo do que conseguindo ficar de pé. Um salve pro reflexo no espelho de quem andou um tempo sem paciência pra cuidados básicos com a pele.
Vira e mexe isso vem. Ninguém sabe de onde, como ou por quê. Inventamos motivos, sintomas e curas que nunca curam de verdade. Vestimos sorrisos, paranoias e embarcamos em conversas que nem acreditamos de verdade, só pra fazer de conta que não tem nada acontecendo. Mas tem alguma coisa acontecendo, a gente só não sabe dizer o que é. E aí a gente vai pra mais uma rodada de faz de conta, de quem é a bola da vez, a fofoca da vez, a moda da vez, o cacete a quatro da vez… E tentando fazer parte de tudo ou acompanhar tudo, a gente se perde, se embola, se atrasa e tropeça na gente mesmo.
O mais engraçado (que na verdade não é exatamente engraçado) é que tá quase todo mundo no mesmo barco, mas estamos todos tão acostumados a fingir, a varrer pra debaixo do tapete, a se entupir de um monte de coisas pra tapar nossos buracos e ostentar uma certa produtividade (e profundidade) que quando para pra reparar que o mundo inteiro tá errado, se assusta ao saber que todo mundo sabe, mesmo fingindo que não.
Então ok, e bola pra frente, mesmo querendo chorar em posição fetal até desidratar antes de dormir. E um salve pra você que não desiste de nada mesmo com as possibilidades se mostrando cada vez mais assustadoras dia após dia.
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Coisas que a gente nunca vai saber (ainda bem)


Você nem sabe as coisas boas que eu tinha planejado pra gente fazer. As piadas das quais a gente ia dar risada. As músicas que iam embalar nossas tardes juntos. A infinidade de melodias e letras que a gente ia trocar. O tanto que eu ia te xingar por ser um trouxa, que eu não ia conseguir ficar longe, mas um trouxa. Você não sabe e nem se deu o trabalho de me deixar dizer. Ficou tudo meio perdido, meio borrado numa tarde fria, num lugar distante e desconhecido. E toda vez que eu dobro uma esquina distraída ainda me lembro de lá.
Apesar de não fazer mais sentido, nem falta, nem nada, as possibilidades vez ou outra acenam. Não como se fosse algo pelo qual eu ainda espero, mas uma curiosidade mórbida de tentar imaginar como teria sido. Se você não tivesse deixado cair na caixa postal. Se você não tivesse me evitado. Se eu tivesse me respeitado, te ignorado e entendido desde então que era o jogo do quem é mais insensível. Mas não.
E aí eu pude ver todas as suas nuances, as sombras, as partes feias e coisas com as quais jamais poderia conviver. Incomodou pra caramba por um tempo e depois me deu raiva, ranço, desprezo. Destruí as pontes pra não ter a menor chance de voltar atrás. Não voltei e nem quero. Mas quando me dá tédio eu olho naquela direção. Só pra inventar uma história. Só pra me dar o que pensar e distrair de olhar pro teto. Só pra me ver de um jeito que eu nem reconheço mais (ainda bem). Só pra ter certeza de que eu não desperdicei as coisas boas que eu tinha planejado com alguém que não merecia ter ficado. E me fez o favor de não ficar.

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O valor de se perdoar


Nem sempre a gente vai conseguir fazer o que imagina, o que queria ou como queria. Às vezes os planos vão por água abaixo, a gente acaba não fazendo o que esperava ou acaba entregando menos do que queria. Frustrar as próprias expectativas também é ruim à beça e eu acho que isso influencia diretamente na imagem que fazemos de nós mesmos. Quantas vezes nos consideramos menos capazes por termos errado ou por não estarmos no melhor dia para entregar todo nosso potencial a uma atividade?
O perdão não serve só para as outras pessoas, mas para nós também. Por quanto tempo vamos ficar nos julgando por erros pelos quais não podemos fazer mais nada a respeito? E até quando a gente vai deitar para dormir e ficar lembrando daquela mancada que cometemos há tempo demais para ser considerado recente? Eu sei que você faz isso. Muita gente faz isso. Mas se a gente parar para pensar é um tempo muito mal gasto. Podendo sonhar acordados antes de dormir, a gente prefere se cobrir de coisas que não podemos mudar.

Esses dias eu estava aqui me cobrando por causa de um trabalho que não consegui desenvolver como queria. Acontece. Dá para aprender com isso, olhar para a experiência como parte de um todo, que um dia vai ficar bonito, mesmo que esteja meio (ou completamente) bagunçado agora. Mas dar o passo seguinte, levantar disposto a tentar, se refazer, arriscar mais uma vez, só acontece quando a gente se perdoa. E também quando aceita que errar faz parte, não é o fim do mundo.

Acredito que o perdão tem muito a ver com entender que os erros fazem tão parte do outro quanto fazem parte de mim. Podem não aflorar do mesmo jeito, mas afloram de outro, de qualquer jeito. Não dá para fugir. Não dá para viver se escondendo no medo de errar e se agarrar a todos os erros passados para justificar o medo de errar no futuro. Perdoar é uma questão de aceitar (que a gente erra, que as pessoas erram e que isso não necessariamente define alguém) ou surtar. Como eu não quero surtar e pretendo continuar progredindo, já sei o que escolher. E você? ♡


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